Nas últimas semanas o Município da Sertã tem vindo a realizar diversas intervenções em árvores localizadas em espaços urbanos das vilas de Cernache do Bonjardim e da Sertã. As intervenções surgiram na sequência de situações reportadas quer por particulares, quer pelas juntas de freguesia das referidas vilas, de árvores que se encontravam a causar prejuízos e/ou em risco de queda iminente total ou parcial. Após uma criteriosa análise técnica, as intervenções foram realizadas apenas nas situações que efetivamente representavam perigo, não apresentavam as condições adequadas de fitossanidade e/ou estavam a provocar variado tipo de prejuízos. Neste sentido, as intervenções passaram pelas técnicas adequadas a cada situação específica, nomeadamente, poda ou abate de árvores. Apenas algumas das árvores abatidas serão substituídas por novas espécies mais adequadas às condições dos respetivos espaços. Noutros locais, não serão replantadas árvores porque iriam comprometer a área e inviabilizar a circulação de munícipes de mobilidade reduzida, pessoas com carrinhos de bebés, etc. Assim, nestes locais específicos, os cepos estão a ser destroçados com recurso a maquinaria específica, as respetivas caldeiras serão fechadas e o piso será nivelado por forma a garantir a circulação pedonal em segurança.
Cristina Nunes, vereadora da Câmara Municipal da Sertã, referiu-se a estes trabalhos de intervenção como sendo "necessários e de extrema importância, dado que contribuem para a proteção de pessoas e bens, resultando numa melhoria da segurança na circulação em espaços urbanos e na prevenção de riscos de queda de ramos ou das próprias árvores.". A autarca recordou a importância de boas práticas, sublinhando que "as árvores em espaços urbanos carecem de cuidados específicos desde o momento da sua plantação, não devendo ser nem negligenciadas nem severamente podadas todos os anos".
O Edifício dos Paços do Concelho da Sertã acolheu a reunião da Rede Social Intermunicipal da Beira Baixa, no passado dia 27 de novembro. A iniciativa contou com as presenças de Cristina Nunes, Vereadora da Ação Social da Câmara Municipal da Sertã, João Carvalhinho, Secretário Executivo da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB), Roque Amaro, Coordenador do Plano de Desenvolvimento Social e Sustentável Intermunicipal da Beira Baixa, e técnicos de Ação Social dos municípios que integram a CIMBB. Cristina Nunes deu as boas-vindas aos participantes e agradeceu à CIMBB pela descentralização das reuniões e pelo trabalho e empenho de todos na elaboração do Plano de Desenvolvimento Social e Sustentável Intermunicipal da Beira Baixa, cuja finalização foi o ponto principal daquela reunião.
João Carvalhinho, Secretário Executivo da CIMBB referiu que aquele documento abrange áreas diversas e constitui um grande contributo à sociedade, sendo "descentralizado e o mais participado possível". Este responsável referiu que, após a finalização, perspetiva-se que o documento siga para apreciação em sede de Conselho Intermunicipal, no início do próximo ano.
Rogério Roque Amaro referiu-se à elaboração daquele plano como sendo um trabalho muito interessante por ser feito em rede, com interação, aproximando as pessoas de diferentes valências, espelhando os objetivos do plano.
O Plano de Desenvolvimento Social e Sustentável da Beira Baixa (PDSSI-BB) constitui o primeiro documento de referência estratégica para a ação da Rede Social Intermunicipal da Beira Baixa (RSIBB). No essencial, pretende-se com esta rede a criação de uma plataforma de partilha e cooperação entre as áreas de intervenção social dos oito Municípios que constituem a Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB), ou seja, Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei e Vila Velha de Ródão.
Neste domingo, Carlos Miranda, Presidente da Câmara Municipal da Sertã, inaugurou a nova estrutura de apoio ao Estádio Municipal Nuno Álvares Pereira, em Cernache do Bonjardim. Composta por balneários e sanitários, o autarca referiu na ocasião que aquela obra essencial, feita pela Câmara Municipal da Sertã, “fica à disposição do Grupo Desportivo Vitória de Sernache (GDVS) e da população de Cernache do Bonjardim”. O autarca focou a importância do desporto na sociedade, pelos benefícios na saúde e bem-estar, mas também por ser “uma escola de valores, como a entreajuda e o companheirismo”, entre outros. Após melhoramentos ali realizados noutras ocasiões e trabalhos realizados noutros grupos desportivos, surge esta estrutura de apoio “absolutamente essencial para que haja condições para os mais novos treinarem e voltarem para suas casas, de banho tomado e completamente refeitos dos treinos”. O investimento rondou os 150 mil euros e, para Carlos Miranda, é “um investimento significativo e essencial para a prática do desporto pelas camadas mais jovens”. O autarca referiu que “não vamos ficar por aqui”, anunciando “um pacote de investimentos para recintos polidesportivos, para os três pavilhões desportivos e para os estádios do concelho”. Para o efeito, irá recorrer a fundos comunitários, estando em fase de elaboração de candidaturas, mas “também com dinheiro do orçamento da Câmara Municipal da Sertã”. “Neste estádio temos muito trabalho a fazer e teremos oportunidade de criar melhores condições para todos aqueles que venham aqui assistir ao futebol, em segurança e com conforto”, referiu o autarca levantando um pouco o véu relativamente aos investimentos previstos para o desporto no concelho. Dirigindo-se à atual direção do GDVS, Carlos Miranda felicitou o dinamismo que tem sido verificado e manifestou a disponibilidade e o apoio da Câmara Municipal da Sertã “através dos protocolos de colaboração desportiva, do melhoramento e criação de estruturas neste estádio, e noutros eventos ou ocasiões. Contem com o nosso apoio. Muito sucesso desportivo!”, finalizou Carlos Miranda.
De linhas modernas, o edifício é composto por três balneários, um destinado à equipa da casa, outro à equipa visitante, e um terceiro para os árbitros. Além destes espaços exclusivos para jogadores e árbitros, o edifício conta também com sanitários para utilização do público.
Na sessão de inauguração, José Ramos, Presidente da Direção do GDVS, agradeceu ao Presidente da Câmara a disponibilidade para a realização da obra. Aquele responsável desejou que “esta seja a primeira de muitas obras desta direção”, que irão auxiliar o clube a “voltar a ser referência nacional e um dos clubes mais importantes do distrito”.
Maria João Ribeiro, Presidente da União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais, “agradeceu à câmara municipal por olhar para as associações do nosso concelho e da nossa união de freguesias. O associativismo ainda é aquilo que faz mover a comunidade e une as populações. O apoio que é hoje dado à formação do Grupo Desportivo Vitória de Sernache é muito mais que o apoio à formação desportiva: é um apoio à formação moral e de valores, cultural e ao acompanhamento destas crianças.” A autarca agradeceu ainda à comunidade de Cernache do Bonjardim por estar presente e por apoiar o grupo desportivo e à direção “por permitir que as pessoas abracem novamente o clube e se sintam parte da associação”.
Manuel Candeias, Presidente da Associação de Futebol de Castelo Branco (AFCB), enalteceu a obra realizada pela Câmara Municipal, realçando a importância deste tipo de investimentos que conferem maior segurança e qualidade à prática desportiva. Felicitou também a atual direção pela vitalidade que tem imprimido ao grupo desportivo.
Após o descerramento da placa de inauguração, seguiu-se a bênção do edifício pelo Padre Paulo Jorge Ribeiro. A tarde foi ainda marcada pelo desfile dos vários escalões de formação do Grupo Desportivo Vitória de Sernache e pela bênção do novo autocarro do clube. Antes do arranque do jogo em que a equipa da casa viria a ganhar 4-0 frente ao Clube União Idanhense, Manuel Candeias, Presidente da AFCB entregou a José Ramos, Presidente do GDVS, o troféu Quinas de Ouro, uma distinção da Federação Portuguesa de Futebol. Seguiu-se a entrega do Cartão Branco de Fairplay a Natan Costa, treinador do GDVS.
O mote era repensar Portugal a partir da Sertã e, no passado dia 9 de novembro, quase uma dezena de convidados esteve no Cineteatro Tasso para refletir sobre o tema e tentar sinalizar eventuais caminhos futuros para o país, em ambiente de tertúlia.
Carlos Miranda abriu e encerrou esta segunda edição das Tertúlias Repensar Portugal, um nome inspirado no título da obra fundamental do Padre Manuel Antunes, e o presidente da Câmara Municipal da Sertã lembrou a importância destes encontros para refletir sobre “a Sertã, as oportunidades e os desafios deste território, a região e o país”, identificando “que contributos podemos dar para o desenvolvimento” de Portugal.
O primeiro painel contou com a presença de Adriano Mendes, Margarida Girão e Pedro Ferrão, três artistas naturais do concelho da Sertã, tendo a moderação ficado a cargo de Mário Correia. Adriano Mendes aproveitou a oportunidade para partilhar com o público algumas ideias, insistindo acerca da necessidade de a Sertã e o país escutarem e estarem mais atentos ao que se passa à sua volta: “Temos de ter a capacidade de perceber o que é que nos distingue e apostar realmente nisso. Não é correto andarmos a copiar o que os outros fazem. Por vezes, basta parar e escutar – o território dá-nos pistas e mostra-nos do que se deve construir o futuro”. Margarida Girão reforçou este ponto, afirmando que “devemos eliminar fronteiras e evitar trabalhar isoladamente”. E citou um exemplo: “os eventos culturais que decorrem no território têm de ser pensados numa abrangência mais vasta. Eles são oportunidades, não só a nível cultural, mas também económico, turístico e social”. “Tudo precisa de estar interligado e isso deve suceder igualmente nas várias estruturas que trabalham no território”, acrescentou a artista plástica. Por seu lado, Pedro Ferrão lembrou “o quanto a Sertã de hoje é diferente do passado” e das “muitas oportunidades que agora se abrem nestes territórios”. O escritor insistiu na “necessidade de aproximar os mais jovens da cultura”, desenvolvendo mecanismos que possam ajudar nessa tarefa.
Durante a tarde, aconteceram dois painéis. No primeiro, mais virado para a música tradicional, o jornalista Rui Lopes moderou a sessão que contou com Mário Correia e Miguel Carvalhinho. Este último, aproveitou a sua intervenção para apresentar o trabalho de recuperação e divulgação que tem desenvolvido em torno da viola beiroa, um instrumento tradicional da Beira Baixa e um dos grandes embaixadores musicais desta região. Miguel Carvalhinho destacou “o esforço desenvolvido, ao longo dos últimos anos, e os frutos que têm resultado desse trabalho, que trouxe novamente à ribalta a viola beiroa”. Já Mário Correia, um homem com uma vasta experiência na área da etnomusicologia, discorreu sobre o “importante papel” que o Centro de Música Tradicional, por si liderado, desempenhou na “promoção da cultura do nordeste transmontano”, sobretudo ao nível da música tradicional. Ambos os convidados concordaram na “necessidade de manter vivo o trabalho que tem sido desenvolvido, num passado recente, na preservação, estudo e divulgação da cultura tradicional”, alertando, todavia, para “os perigos que se afiguram no horizonte”, de que é exemplo “uma certa ‘mcdonaldização’ da cultura, que tende a uniformizar certas expressões artísticas, retirando-lhes a sua originalidade e a evidente ligação à terra”, notou Mário Correia.
A fechar as Tertúlias Repensar Portugal, o último painel incluía, além do presidente da Câmara Municipal da Sertã, Carlos Miranda, o historiador Vítor Serrão e o comissário do Plano Nacional das Artes, Paulo Pires do Vale. O moderador foi Hélder Ferreira. Vítor Serrão serviu-se dos objetivos elencados na Carta de Direitos e Deveres do Património Histórico-Cultural Português para notar que “as sociedades contemporâneas tendem a esquecer que os monumentos e as obras de arte têm sentidos que perduram no tempo histórico e sempre abriram campo a debates frutuosos e plurais”. E nesse debate, que “não é feito para produzir consensos”, cabem várias dimensões “a que é preciso prestar atenção”. Mais à frente, o historiador assinalou o “direito que a população tem à cultura”, o qual deve ser “absolutamente primordial e orientador”. Notou também que “a cultura não tem de ter “uma utilidade definida”, podendo “apenas ser algo que nos fascina”. É “dessa liberdade que deve estar impregnada a cultura”, rematou Vítor Serrão. Citando uma frase célebre do Padre Manuel Antunes, de que é na democracia cultural que “se encontra uma das poucas saídas para o futuro deste país”, Paulo Pires do Vale apresentou, em linhas gerais, o Plano Nacional das Artes e deixou algumas notas fundamentais sobre o trabalho que tem sido desenvolvido nos últimos meses. Num âmbito mais geral, defendeu que a “escola deveria ter um papel mais ativo na concretização das políticas culturais” e que as próprias instituições têm a obrigação de se “abrir mais ao mundo e ao diálogo”, caucionando a expressão de “extituição” para justificar essa ideia de maior abertura.
Carlos Miranda fez um “balanço positivo” das Tertúlias Repensar Portugal e sublinhou a “necessidade, cada vez mais premente, destes encontros acontecerem”. Elencou ainda alguns dos pontos mais importantes que foram discutidos durante este dia, realçando a premissa de que a cultura é um direito e de que o futuro do país poderá mesmo radicar, como dizia o Padre Manuel Antunes, numa democracia cultural. Congratulou-se, por fim, com o facto de a segunda edição das tertúlias “ter tido maior adesão” do que a primeira edição, no passado mês de maio. “Isso deixa-me muito satisfeito”, atalhou.
À noite, e ainda no âmbito destas Tertúlias Repensar Portugal, a Casa da Cultura da Sertã quase encheu para assistir ao espetáculo musical «Tradição Contemporânea», com a presença de Miguel Calhaz, Luísa Vieira, Marco Figueiredo, Patrícia Domingues, Idalina Gameiro e Lídia Carolina. Neste concerto foi possível ouvir várias músicas tradicionais da Beira Baixa, incluindo temas tradicionais do concelho da Sertã, como por exemplo “Vira do Outeiro”, “Debaixo da Laranjeira” e “A azeitona por ser preta”. Do cancioneiro tradicional chegaram temas como “Senhora do Almortão”, Maria Faia” ou “Milho Verde”.
O caminho para o desenvolvimento do país passa obrigatoriamente pelo centro: quer pela sua posição geográfica, quer pela sua localização estratégica, quer pelas suas potencialidades e excelências. No entanto, a dicotomia interior-litoral continua visível, e a desigualdade de oportunidades e de acessos continua a ser uma realidade que, não só fomenta esta assimetria, como em parte, não permite um correto desenvolvimento do país.
Traçar caminhos e rotas para o desenvolvimento da região, do interior, e do próprio país, foi precisamente o propósito do Jantar Conferência “Coesão Territorial”, que contou com Luís Marques Mendes como convidado de honra, no passado dia 29 de outubro, após o Dia da Democracia, que juntou mais de 300 jovens na Sertã. Além do advogado e comentador político, estiveram presentes neste jantar conferência Carlos Miranda, Presidente da Câmara Municipal da Sertã, empresários do concelho da Sertã, Presidentes de Juntas e Uniões de Freguesia, Presidentes de Câmara, IPSS's, membros diretivos da SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (Álvaro Beleza, João Perestrello e Nuno Carrapatoso), e entidades locais.
Nas várias intervenções falou-se de Democracia, dos desafios que a sociedade hoje enfrenta seja a nível nacional ou internacional, das desigualdades e injustiças que ainda hoje se verificam entre litoral e interior, de segurança, de caminhos estratégicos, de inteligência artificial e, acima de tudo, de passos e caminhos para o futuro e para o desenvolvimento do país que passam precisamente pelo interior de Portugal.
Carlos Miranda, Presidente da Câmara Municipal da Sertã, começou por referir os três fatores que, no seu entender, são fundamentais para que a coesão territorial possa existir verdadeiramente: primeiro, confiança do estado central nos agentes locais, nomeadamente nos autarcas; em segundo lugar igualdade no acesso a serviços essenciais e, em terceiro lugar, equidade no investimento nacional, tendo em conta a população, a dimensão do território e o seu potencial.
No que diz respeito ao primeiro ponto, na confiança do estado central nos agentes locais, nomeadamente nos autarcas, e uma política que seja clara para os territórios de baixa densidade, Carlos Miranda falou naquilo que considera ser o território do “não se pode”. A este propósito, explicou, que qualquer ação tomada no centro do país, tem sempre uma regra, um plano especial ou um Decreto-Lei, o que condiciona a ação e a prática, da mesma forma que “uma grande parte das decisões que dizem respeito ao desenvolvimento do território” não passam pelos autarcas do interior do país, mas apenas por “autorizações do poder central”. Assim, mostrou a sua “revolta” na falta de igualdade no tratamento do território: “pode-se fazer em Lisboa aquilo que não se pode fazer na Sertã”, adiantando que “em Lisboa nada nos impede de construir junto ao Rio Tejo, mas na Sertã não se pode mexer uma pedra à beira da Albufeira de Castelo do Bode, ou do Cabril, ou da Bouçã.” Compreendendo que estas ações possam ser resposta a uma proteção do ambiente, da água e da biodiversidade, não se apresenta contra elas, mas considera que falta um equilíbrio e bom senso “entre o ordenamento do território, entre a preservação destes valores que são muito importantes, e o desenvolvimento económico”. “Se não podemos investir, devemos ser compensados de outra forma” rematou.
A segunda questão que Carlos Miranda considera prioritária para que possa realmente existir uma Coesão Territorial, passa pela igualdade de acessos, “de coisas muito básicas da vida das pessoas” como o saneamento ou o valor pela recolha de resíduos sólidos. Mais uma vez, o autarca focou a desigualdade entre o interior e o litoral, entre os territórios de baixa densidade e os grandes centros urbanos: “paga-se mais para que as pessoas tenham acesso à água, paga-se mais para que as pessoas tenham acesso a transportes públicos, paga-se mais para que as pessoas tenham as ruas limpas e que os resíduos sejam recolhidos”.
O terceiro ponto, centrado na equidade do investimento nacional, apresenta novamente desigualdades e discrepâncias. Numa altura em que se fala em grandes investimentos em Portugal – novo aeroporto, nova travessia sobre o Tejo, novos planos ferroviários – vê-se que esses investimentos acontecem onde sempre os houve. E o interior volta a ficar esquecido. Como defendeu Carlos Miranda, no caso da Sertã há realidades tão emergentes como antigas. É o caso da EN238 “que a população reclama há mais de 30 anos, cuja requalificação custaria 20 ou 30 milhões de euros” e nunca avançou. É o caso também do IC8, que nunca foi concluído, o que dizer da sua requalificação que se torna cada vez mais urgente e necessária. E o caso ainda do IC31, que faz a ligação entre a A23 a Monfortinho e depois a Madrid, que se complementa com o IC8 e que fazem com que, de facto, “esta região seja absolutamente decisiva para a circulação entre o litoral português e toda a região centro e Madrid.” Daí advém ainda mais a urgência de investimento na requalificação destas estradas, fundamentais não só para a Sertã, mas para todo o território do Pinhal Interior, de toda a região centro e do próprio País.
A questão da equidade de investimento, centrava-se ainda em fatores como a população, a dimensão do território e o seu potencial. E aqui, Carlos Miranda, defende que o interior do país deve ter direito a participar neste esforço de desenvolvimento do país. Do Turismo que oferece experiências únicas, à floresta que é um elemento basilar, e que ela própria precisa de uma reforma e de uma gestão mais eficaz “para termos uma floresta que seja rentável, segura, e que também preserve a biodiversidade”, passando pelas empresas e IPSS locais que necessitam de mais apoio, mais investimento, mais estímulo.
Carlos Miranda terminou a sua intervenção com uma analogia à mesa, referindo que o centro do país não quer “as migalhas que caem da mesa do poder”, mas sim “um lugar à mesa do poder e do desenvolvimento”. O centro do país tem o direito e o dever de participar ativamente no desenvolvimento do país e do território porque, “nós não somos um obstáculo ao desenvolvimento do país, pelo contrário, nós somos uma oportunidade. Nós não somos o problema, nós somos parte da solução”, concluiu.
Luís Marques Mendes, por sua vez, começou por revelar que a sua primeira aventura política “foi nas eleições autárquicas em 1976”, uma experiência que considera como “uma das mais enriquecedoras” na sua vida política. Por isso, consegue perceber e reconhecer o trabalho que é feito nas autarquias, e o papel importantíssimo que hoje em dia as Câmaras Municipais assumem, reconhecendo “o contributo absolutamente notável para o desenvolvimento do país em 50 anos de democracia”.
Antes de passar ao tema que serviu de mote a este jantar, a coesão territorial, Marques Mendes falou aos convidados ali presentes sobre a situação que vivemos atualmente que, segundo o advogado, é um “momento desafiante no plano externo e particularmente estimulante no plano interno”. Das guerras que neste momento decorrem, na Europa e no Médio Oriente, ao então resultado das eleições americanas, passando por “um problema de crescimento, de competitividade e falta de liderança política na Europa”, que causam instabilidade e incerteza, a nível interno vive-se uma “situação estimulante em Portugal”. Vários são os motivos para esta estimulação, desde a diminuição da dívida pública, ao “avanço brutal em qualificações”, ou uma modernização do tecido empresarial, há vários fatores que hoje em dia dão aos portugueses “motivos de confiança, de esperança e de ambição” para não cruzar os braços perante a instabilidade externa.
No entanto, mesmo a nível interno, há problemas que devem ser resolvidos. Marques Mendes crê que, neste momento, é necessário darmos prioridade a três: o problema demográfico, o problema da produtividade e, finalmente, o problema da coesão territorial.
Se, na primeira situação aponta a emigração como uma resposta óbvia e necessária, na segunda sugere a Inteligência Artificial e a digitalização das Pequenas e Médias Empresas, especialmente no interior. Por fim, e chegando à questão da coesão territorial, defende que se o interior já tem boas condições, boas infraestruturas, bons equipamentos, falta agora “criar condições para atrair o investimento”, que irão consequentemente permitir uma fixação da população. “O diagnóstico está feito” avançou o comentador político, “só é preciso agir e criar condições para que o investidor” em vez de investir sempre nos mesmos centros urbanos, “também possa investir aqui na região” concluiu. E para que isto aconteça, há duas medidas que Marques Mendes não só apresentou em primeira mão na Sertã, como julga serem oportunidades únicas para que este desenvolvimento do interior se alavanque. A primeira medida é que os Fundos Estruturais do Portugal 2030 irão beneficiar em grande medida empresas que se queiram fixar nos territórios de baixa densidade. Aliás, avançou Marques Mendes, “40 % das quotas vão ser exclusivamente para territórios de baixa densidade”. A segunda medida, relacionada com os fundos perdidos da União Europeia, é que haverá “um incentivo de 50% só para os investimentos na zona do interior” e cerca de 30% para outros territórios, o que se pode traduzir numa “diferença significativa”.
No final deste jantar, sobrou o convívio e o debate de ideias, bem ao jeito democrático. Cumpriu-se assim o propósito principal deste jantar conferência, o de traçar caminhos para uma coesão territorial e para um desenvolvimento do país, que passa obrigatoriamente pelo Centro de Portugal – pela própria geografia do país e pelo seu potencial. Fez-se assim, aquilo que Marques Mendes apelidou de um ato de coragem – o de “apontar soluções, apresentar caminhos e medidas. E isso faz toda a diferença”. {galler}imagens/2024/jantar_coesao24{/gallery}