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Maratona de Leitura ‘alimentou-se’ de amor para fazer brilhar o concelho da Sertã

Saco da Maratona de Leitura da Sertã 2026 dedicada ao Amor
Passavam poucos minutos da uma da manhã quando Carlos Miranda, presidente da Câmara Municipal da Sertã, deu por encerrada a 14.ª edição da Maratona de Leitura, colocando um ponto final “naquela que foi a melhor edição de sempre deste festival literário”, nas palavras do próprio autarca. Milhares de participantes, atividades em lugares únicos do concelho da Sertã, quase uma centena de convidados e uma comunidade muito ativa foram a receita de sucesso de um evento que celebrou o amor entre os dias 2 e 4 de julho.

“A Maratona de Leitura é uma grande referência para a cultura em Portugal e isso ficou, uma vez mais, comprovado nesta 14.ª edição. Batemos recordes de participação, a comunidade envolveu-se de uma forma fantástica e no final ficou a certeza de que a Maratona de Leitura está mesmo a mudar o concelho da Sertã e toda a nossa região”, sintetizou Carlos Miranda.

Ao longo de três dias, a Maratona de Leitura, organizada pelo Município da Sertã através da Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes, contou com mais de 70 horas de programação, decorrendo encontros com escritores, workshops e oficinas, espetáculos e performances centrados na leitura, passeios pedestres, feira do livro, exposições, sessões temáticas, passeios literários de barco, as tradicionais “Festas na Aldeia” e as icónicas “24 horas a ler”. Uma das novidades deste ano foi a manifestação que abriu o festival. Com o lema “É urgente o amor”, centenas de pessoas caminharam pela Avenida Gonçalo Rodrigues Caldeira, gritando palavras de ordem e carregando cartazes com frases sugestivas e simbólicas.

Carlos Miranda lembrou então “a força transformadora do amor e a necessidade deste tipo de ações para termos um mundo mais unido, fraterno e coeso”. O edil, que horas mais tarde haveria de estar presente na cerimónia de abertura, leu no final da manifestação o poema “Urgentemente”, de Eugénio de Andrade.

Este primeiro dia ficou ainda marcado pela já citada cerimónia de abertura, no Cineteatro Tasso do Clube da Sertã, que contou com a atuação do Coro de Gigantes, a entrega dos prémios aos vencedores do Concurso Nacional de Leitura em Voz Alta e a conversa com a escritora Inês Pedrosa, conduzida por Pedro Vieira. Antes deste momento, o dia compreendeu outras atividades como o espetáculo de improvisação “Romance ao Contrário”, o encontro intitulado “Amor à Sertã”, com a presença de Carlos Marçal, Joaquim Filipe Patrício, João Miguel e Zélia Machado, as sessões de contos em estabelecimentos fabris, comerciais e institucionais do concelho da Sertã, que se estenderam ao segundo dia, o podcast ao vivo “A língua descalça”, com Renato Filipe Cardoso e Gabriela Relvas, o encontro com Tânia Graça, o passeio de barco, que neste primeiro dia contou com as escritoras Rosa Alice Branco e Marta Martins Silva, ou o lançamento do livro “Kama Suletra”.

O segundo dia da Maratona de Leitura arrancou madrugada dentro com o passeio noturno “Mistérios e Tragédias” pelas ruas do centro histórico da vila da Sertã, seguindo-se, já com o brilho do sol, algumas oficinas, sessões de contos, o encontro “As pequenas coisas”, com Bernardo Mendonça, Afonso Cruz, Jorge Reis-Sá e Pedro Vieira, a apresentação da coleção “elementário”, a entrega dos prémios do concurso de cartas de amor PECAR, o encontro com o escritor Sérgio Godinho, antecedido pelo espetáculo Barco Doido, de Miguel Calhaz e Ricardo Grácio. Este dia teve ainda mais uma sessão do “Pinguim Fora de Portas” e o espetáculo de Zeca Medeiros.

O arranque para o último dia fez-se com o início das 24 horas a ler cabendo as primeiras leituras ao presidente da Câmara Municipal, ao diretor-geral da DGLAB, Luís Filipe Santos, e a Sérgio Godinho. Seguiram-se depois muitas horas de leitura ininterrupta em voz alta com participantes dos mais incógnitos aos mais conhecidos, intervalados por espetáculos de performance literária. 

As “Festas na Aldeia”, que nos dois dias anteriores já haviam contado com algumas sessões, tiveram ao longo do dia de sábado uma jornada muito intensa com sessões em quase uma dezenas de locais.

A conversa de Fernando Alvim com Inês Maria Menezes e Tozé Brito foi um dos destaques desta jornada, a par de outros como o encontro de Gonçalo M. Tavares, Raquel Patriarca e Francisco Mota Saraiva na belíssima Igreja Paroquial da Ermida, sob a moderação de Luís Caetano, ou a sessão que juntou os escritores Hugo Gonçalves, Susana Moreira Marques e Nélson Nunes (moderação de Minês Castanheira) no Jardim da Serrada, na Sertã. Também neste dia decorreu o encontro de literatura infantil que juntou Marta Coelho, Adélia Carvalho e Inês Cardoso (moderação de Manuela Ribeiro).

O encerramento da Maratona de Leitura, coincidente, como habitualmente, com os espetáculos finais das 24 horas a ler, no Castelo da Sertã, foi preenchido pelo espetáculo resultante da oficina “A invenção do amor”, conduzido por Pedro Lamares e que contou com a participação de vários elementos da comunidade sertaginense, e pelo espetáculo “Ainda assim, Amar”, com André Neves (Maze), Francesco Valente e Maria Caetano Vilalobos.

Depois de três dias em que o amor foi o fio condutor de dezenas de encontros, histórias e experiências partilhadas, fica a certeza de que a próxima edição já começou a ser escrita. A Maratona de Leitura da Sertã renova, assim, o compromisso de se afirmar, ano após ano, como uma referência nacional na promoção da leitura, da cultura e da valorização do território, fazendo da Sertã um lugar onde a literatura continua a transformar pessoas, comunidades e paisagens.

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